
O XIV Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM 2026) teve início esta segunda-feira, dia 9, no Auditório das Sessões Solenes da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã. Na sessão de abertura estiveram presentes cerca de 135 participantes, de um total de mais de 300 inscritos que participam no evento ao longo dos três dias.
Dedicada ao tema Comunicação e Tempo, a edição deste ano é organizada pelo LabCom, em parceria com a SOPCOM. O congresso reúne investigadores, docentes e profissionais da área da comunicação, nacionais e internacionais, com o objetivo de debater as transformações temporais que atravessam os media, a tecnologia, a cultura e a sociedade contemporânea. Esta é a segunda vez que a UBI acolhe o Congresso da SOPCOM, marcando o regresso do evento à Covilhã após 24 anos.
A sessão de abertura contou com as intervenções da Professora Doutora Gisela Gonçalves, responsável pelo Comité Organizador do Congresso, do Professor Doutor José Ricardo Cavalheiro, presidente da Comissão Científica, do Professor Doutor João Canavilhas, diretor do LabCom, do Professor Doutor Francisco Paiva, presidente da Faculdade de Artes e Letras da UBI, da Professora Doutora Madalena Oliveira, presidente da SOPCOM, e da Professora Doutora Ana Paula Duarte, reitora da UBI. Os discursos destacaram a relevância científica do congresso e a atualidade do tema, sublinhando a centralidade do tempo nos processos comunicativos contemporâneos.
Um momento cultural, protagonizado pelo quarteto musical O Apolo, marcou a transição entre a sessão solene e a conferência inaugural. Sob o título Artificial Time: Temporality and the End of Media in the Age of AI, a conferência foi proferida por Anne Kaun, professora e investigadora em Estudos de Comunicação e Media da Södertörn University, em Estocolmo, Suécia.
Reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho nas áreas da teoria dos media, das temporalidades mediadas e da relação entre tecnologias digitais, algoritmos e experiência social do tempo, Anne Kaun é coautora da obra Making Time for Digital Lives: Beyond Chronotopia. No livro, a investigadora analisa de que forma as tecnologias digitais reconfiguram a vivência do tempo, explorando as tensões entre aceleração, automação e práticas alternativas de desaceleração.
Na sua intervenção, Anne Kaun refletiu sobre as novas temporalidades introduzidas pela Inteligência Artificial (IA) e sobre a transição dos meios físicos para o digital. Abordou ainda o modo como os sistemas automatizados e algorítmicos reorganizam o tempo da comunicação, do trabalho mediático e da atenção, questionando a própria noção de media na era da IA.
O SOPCOM 2026 prossegue nos próximos dias com um programa científico diversificado, promovendo o debate crítico em torno de temas como a aceleração e o imediatismo, a economia da atenção, a memória, as narrativas mediáticas, a digitalização, a plataformização e o impacto das inovações tecnológicas, bem como abordagens alternativas como o slow media e o slow journalism. O congresso afirma-se, assim, como um espaço privilegiado de reflexão crítica sobre o papel do tempo na comunicação e os desafios colocados pelas transformações tecnológicas, sociais e culturais da contemporaneidade.


