
O último dia do XIV Congresso da SOPCOM foi marcado por duas sessões paralelas que reuniram trabalhos ligados com áreas como Comunicação Organizacional, Jornalismo e Sociedade, Políticas e Regulação dos Media, Públicos e Audiências, Publicidade, Rádio, História, Retórica e Semiótica. Dando continuidade aos debates desenvolvidos ao longo dos três dias de evento, a digitalização, a Inteligência Artificial e a mediação algorítmica foram temas transversais das discussões desta quarta-feira (11).
A tensão entre velocidade e qualidade destacou-se como preocupação comum, além de terem sido colocadas em evidência as transformações profundas nas práticas comunicacionais e nos ecossistemas mediáticos. Foram discutidos os impactos das métricas, da desinformação, da regulação das plataformas e das novas formas de participação e consumo, sublinhando-se como a aceleração digital desafia o rigor, a ética e a responsabilidade nos media e na produção científica.
Tais questões foram aprofundadas, em seguida, na mesa-redonda Ritmos de publicação: entre a urgência produtiva e o tempo do pensamento, que ocorreu durante a tarde. Moderada por Pedro Jerónimo, investigador do LabCom, reuniu os representantes das revistas científicas Mediapolis, Comunicação e Sociedade, Comunicação Pública, Media e Jornalismo, Estudos em Comunicação e Comunicando.
Termos como “compromisso” e “responsabilidade” sintetizaram a ideia de que as revistas não são apenas estruturas de gestão editorial, mas agentes ativos na construção do conhecimento. Diante da pressão das métricas e da produtividade académica, os participantes defenderam a importância do tempo de maturação, da revisão rigorosa e da valorização do trabalho editorial. Ao final, João Miranda, Madalena Oliveira, Jorge Veríssimo, Marisa Torres da Silva, Samuel Mateus e Marisa Mourão convergiram para a ideia de que, mais do que acelerar, importa garantir qualidade, reflexão e sustentabilidade no sistema científico.


