Entrevista | Organização da SOPCOM 2026 destaca impacto científico e dimensão humana do congresso

Professora Gisela Gonçalves e Professora Bianca Toniolo, representantes da organização do XIV Congresso da SOPCOM

A Professora Doutora Gisela Gonçalves, Presidente da Comissão Organizadora da edição de 2026 da SOPCOM, e a Professora Doutora Bianca Toniolo, coordenadora da equipa de assessoria, conversaram sobre a experiência de organizar esta edição do Congresso na Universidade da Beira Interior.

Comunicação SOPCOM: Na programação científica da SOPCOM 2026 constam múltiplas sessões paralelas, 333 submissões aprovadas, três sessões plenárias, quatro espaços de debate com conferências e mesas-redondas. Com estes números e um congresso com tantos temas para refletir, é-nos possível afirmar que a investigação científica em Portugal é relevante e tem reconhecimento no âmbito internacional?

Professora Gisela Gonçalves: Com certeza. A resposta é 100% positiva. As Ciências da Comunicação em Portugal têm vindo a desenvolver-se de forma exponencial, tanto ao nível da quantidade como da qualidade da investigação científica. E este congresso, como refere — e bem —, é uma manifestação clara da evolução da investigação em Portugal na área das Ciências da Comunicação, que acreditamos também ter impacto na comunidade internacional.

Comunicação SOPCOM: Na organização da SOPCOM 2026 estão envolvidos dezenas de voluntários, estudantes da UBI, de todos os ciclos de estudos: licenciatura, mestrado e doutoramento. Houve um cuidado especial em reunir um grupo de alunos representativo?

Professora Bianca Toniolo: Nós fizemos uma convocatória, convidámos e abrimos a possibilidade de os alunos interessados em participar como voluntários se inscreverem, tendo recebido dezenas de inscrições.
Claro que, ao longo do percurso, alguns desistiram; estão também numa época de férias e compromissos familiares impossibilitaram a participação de outros. Ainda assim, chegámos ao congresso com 60 alunos voluntários, divididos em seis equipas diferentes, que vão desde a acreditação, passando pelo programa social, até à área da comunicação.

A comunicação está subdividida em quatro equipas distintas: podcast; assessoria de imprensa, responsável pela divulgação junto aos média durante o período pré-evento; a cobertura, que assegura a produção de notícias, a cobertura fotográfica e a atualização do website do congresso; e a equipa de redes sociais, responsável pelos conteúdos publicados diariamente no Instagram e no Facebook, com as informações mais atualizadas sobre o congresso.

Estes 60 alunos voluntariaram-se para colaborar e contribuir para que o congresso da SOPCOM acontecesse. Somos muito gratos a todos, porque o seu trabalho é fundamental para gerir e concretizar um congresso desta magnitude.

Comunicação SOPCOM: Na sua opinião, para os voluntários, quais são as maiores aprendizagens e experiências que irão levar destes três dias?

Professora Bianca Toniolo: Acredito que, para os voluntários da licenciatura, esta seja uma experiência prática, um verdadeiro laboratório vivo de como um congresso científico acontece em todas as suas dimensões: desde a preparação, à receção dos participantes e à comunicação. Trata-se de uma experiência que podem incluir no currículo e que vai ao encontro daquilo que têm vindo a aprender ao longo da licenciatura.

Para os mestrandos e doutorandos, sobretudo, é também uma oportunidade de contribuir para o congresso e de integrar essa participação na sua trajetória académica, enquanto membros da organização de um congresso científico. Para além disso, é uma oportunidade única de contacto com nomes de referência da investigação em Ciências da Comunicação em Portugal, muitos dos quais são autores que estudam e citam nos seus projetos, teses e dissertações. Para além do conhecimento e da experiência prática, trata-se também de um enriquecimento teórico e empírico, possibilitando a criação de redes fundamentais para o futuro académico.

Professora Gisela Gonçalves: E muitos deles não são apenas voluntários, são também conferencistas. Temos alunos com essa dupla condição: colaboram na organização e, simultaneamente, participam como autores, tendo submetido trabalhos para apresentação nas sessões paralelas ao longo destes três dias. Portanto, é uma experiência completa.

Comunicação SOPCOM: Era nesse sentido que gostaria também de questionar a Professora Gisela, que integra a equipa docente de Ciências da Comunicação. Uma parte significativa dos investigadores presentes nestes três dias são alunos de doutoramento e, em muitos casos, estudantes da própria UBI. Qual é o papel da SOPCOM no percurso académico de quem está a dar os primeiros passos na investigação científica?

Professora Gisela Gonçalves: Penso que a SOPCOM tem tido um papel fundamental no desenvolvimento dos futuros e atuais investigadores da área das Ciências da Comunicação.

A SOPCOM organiza-se em diferentes grupos de trabalho. Concretamente, existem 19 grupos de trabalho que constituem a estrutura interna da Associação, sendo um deles dedicado aos jovens investigadores. Este GT é particularmente dinâmico, reunindo investigadores de mestrado, doutoramento e também alguns recém-doutorados. Desde cedo, estes investigadores podem e devem contribuir para a investigação na área da comunicação, nas suas várias vertentes, trazendo uma energia própria que dinamiza a SOPCOM e contribui para a renovação da comunidade científica.

Podemos, assim, encarar a SOPCOM como um espaço de encontro entre investigadores juniores e séniores, promovendo uma dinâmica de equipa e de comunidade muito forte.

Comunicação SOPCOM: O que é que a edição da SOPCOM 2026 na UBI deixa como referência, inovação ou marco distintivo?

Professora Bianca Toniolo: Esta é a quarta edição do Congresso da SOPCOM em que participo. Não se compara ao número de edições em que a Professora Gisela já esteve envolvida, mas é notória a evolução no formato e no envolvimento da comunidade científica desde 2019, quando participei pela primeira vez como jovem investigadora.

Nesta edição, apostámos fortemente na comunicação, desenvolvendo uma estratégia integrada, com o apoio dos voluntários nas quatro frentes, de modo a deixar um legado de conhecimento também para quem não pôde estar presente e para que futuras edições tenham como referência o trabalho desenvolvido.

Por isso, produzimos vídeos para o YouTube, podcasts, conteúdos para redes sociais e um trabalho intenso junto dos média, garantindo que a informação sobre o Congresso chegasse a todo o país.

Professora Gisela Gonçalves: Gostaria de acrescentar um ponto que considero muito importante: a dimensão interpessoal. Todos os voluntários e toda a equipa do LabCom estão envolvidos de forma muito séria neste evento e sabemos receber.

A Covilhã sabe acolher, e isso é frequentemente referido por quem nos visita. Essa dimensão humana e próxima deixará, sem dúvida, uma marca.

Comunicação SOPCOM: Enquanto investigadoras, congressos como a SOPCOM não são apenas espaços para apresentar investigações e regressar no próprio dia. São oportunidades para quê?

Professora Gisela Gonçalves: Sobretudo para criar ou recriar ligações. A Comunidade Portuguesa de Ciências da Comunicação é bastante ampla e é neste momento bianual que a SOPCOM oferece tempo e espaço para o reencontro, para a partilha de investigações, projetos passados e futuros, mas, acima de tudo, para conversar e discutir. É dessa interação que surgem as melhores ideias e projetos.

Com mais de duas décadas de existência e cerca de 800 associados, o congresso bianual da SOPCOM é uma oportunidade única de contacto presencial, reforçando a dinâmica da investigação.

Comunicação SOPCOM: A SOPCOM não é apenas um espaço para apresentar comunicações. É também um espaço para quê?

Professora Bianca Toniolo: Networking. Resumo nessa palavra e concordo plenamente com tudo o que a Professora Gisela referiu. Os congressos são espaços de conexão, de partilha de conhecimento, de construção de parcerias para projetos, investigações ou artigos científicos.

Professora Gisela Gonçalves: Este congresso bianual é, penso, a única oportunidade para os investigadores nacionais participarem num evento onde podem assistir a comunicações de todas as áreas clássicas e mais vanguardistas das Ciências da Comunicação. Podemos construir um congresso “à la carte”: de manhã jornalismo, à tarde comunicação política, no dia seguinte rádio ou cinema.

É uma visão de 360 graus sobre a investigação em Ciências da Comunicação, um dos grandes marcos distintivos da SOPCOM.

Comunicação SOPCOM: Para além da contribuição académica para a UBI, que impacto tem o congresso na cidade da Covilhã?

Professora Gisela Gonçalves: Para a Covilhã, desde logo, é uma oportunidade de dar a conhecer a cidade a muitas pessoas que aqui vêm pela primeira vez. Muitos colegas referiram que nunca tinham estado na Covilhã com tempo para a conhecer.

Frequentemente, a cidade é apenas um ponto de passagem para a Serra da Estrela. Este congresso permite mostrar a cidade e a UBI. Para muitos, é também a primeira visita à universidade, com a oportunidade de conhecer os seus espaços. É dar a conhecer a nossa casa a quem gostamos de receber e a quem esperamos que volte.